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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Fechando Maio com chave de ouro!

Fecho este mês de Maio com chave de ouro (e explicarei adiante o porquê desta minha afirmação), com o relato de um encontro no Parque Verde.

Estava entretido a conversar com o edil da nossa freguesia junto à eira do milheiral, em pleno Parque Verde, discutindo pormenores da festa que se vai realizar no próximo Sábado -Encontro na Sementeira- lamentando-nos ambos, das condições climatéricas adversas que se antevêem para esse dia, segundo as projecções meteorológicas dos organismos competentes; quando uma ave, que meia-hora antes se tinha cruzado comigo junto ao cais onde "descansa" o Água-arriba", voltou para se poisar precisamente muito próximo dos nossos olhos e das nossas pessoas; não tinha a Fuji comigo, pois estava na J5 e...peço-lhe desculpa aqui perante todos...deixei o pobre homem a falar sozinho, corri em direcção da caravana, saltando por cima do gradeamento em madeira, peguei na Fuji, voltei ao local abandonado anteriormente e toca a clicar no obturador da Fuji...

- Tens bom zoom? Perguntou o edil.
- Tenho, 18x! Embora comece a precisar de mais...
- É um Peneireiro-vulgar! Exclamação à qual o meu interlocutor concordou com um quase silencioso:
- É...

Mas não era! Estava erradíssimo; a ave em questão (realmente) parece em voo e fisicamente um falcão, mas, olhando mais pormenorizadamente se chega com facilidade à conclusão de que não se trata de nenhum género desse tipo de rapina!

E o que era então?

Voltando atrás no tempo...
Há uns dias atrás, a meio da veiga tinha ouvido um Cu-cu, muito característico, enfiado entre os arvoredos e tive a certeza que por ali estava um Cuco, um Cuco-canoro (Cuculus canorus), mas motivado pelo denso arvoredo, os meus olhos não o conseguiram almejar. Passados dias, engraçada coincidência depois de muito ter pensado no Cuco dias antes, eis que o mesmo (ou outro, mas o que interessa é que era um Cuco) se atravessa no ar mesmo em frente aos meus olhos! Há coisas por vezes, difíceis de explicar...

Extraordinária coincidência!

Foi um momento espectacular o que vivi, presenciando um dos grandes anunciantes da Primavera com a sua chegada às nossas paragens e desfilando sem medos, perante o meu olhar e o olhar do amigo com quem conversava!

Fecho, este mês, com chave de ouro porquê? Porque, depois, em casa, ampliando as fotografias e intrigado com a sua cor mais parecendo um peneireiro, constatei finalmente (e aí sim) que era um Cuco, um Cuco fêmea com uma das mais raras mutações de cor que existem no reino animal! Bingo! Boa!

Esta fêmea apresenta a arruivada cor apelidada pelos estudiosos de "fase-hepática", considerada uma autêntica raridade! Cá fica documentado em poucas fotografias, dado que o Cuco é uma ave extremamente tímida e difícil de visualizar, quando este magnífico animal, que mais vem dignificar com a sua ocorrência a nossa veiga e a sua avifauna, desfilou perante mim!


Primeira visualização, junto ao cais do rio Lima.


Poisado num dos esteios que ladeiam a eira do milheiral.


Idem, idem.


Num galho de uma árvore em pleno Parque Verde!


As pequenas aves que se cuidem, pois todos sabemos que o Cuco é um dos grandes parasitários do mundo animal. Não constrói ninho, aproveitando antes, o de outras pequenas aves para depositar os seus ovos eliminando os da espécie hospedeira, daí resultando depois, o nascimento da sua prole, alimentada pelos falsos progenitores! A Natureza tem coisas incríveis!

Ave de rara ocorrência nesta mutação de cor, que vem dar um colorido muito belo à avifauna, lanhesense!


É ou não é caso para se dizer - Fechando Maio com chave de ouro!








Sugestão de leitura - "COMER ORAR AMAR."

Este mês a minha sugestão de leitura é destinada ao público feminino, sem menosprezar, claro está, o masculino; eu sou homem e adorei lê-lo, até mais que a minha esposa, a quem o ofereci, pois achei-o e acho uma ode ao modo de ser e pensar feminino, curiosamente, ela não gostou e eu adorei (enfim... coisas de mulheres); mas, o livro que trago aqui ao blogue é sobre mulheres e aborda variadas temáticas enquadradas no que é o incrível espírito de uma mulher. Muito mais complexo que o de um homem!

O título em si já diz tudo, COMER, ORAR e AMAR,  relata-nos a história de Elizabeth Gilbert (contado na primeira pessoa) que tinha tudo na vida para ser feliz; um bom marido, uma casa de campo e uma carreira de sucesso, tudo aquilo o que uma mulher pode desejar, mas no seu caso...não o era! Após muita introspecção e de uma arrasadora crise existencial, decide deixar tudo para trás, enfrenta um divórcio difícil e parte à aventura, talvez, numa busca incessante por se encontrar consigo mesma, dividida entre o desejo de prazeres mundanos e uma transcendência divina.

Quando dá por ela, está em Itália, onde experimenta a delícia da dolce vita, em seguida parte para a Índia em busca de espiritualismo e rigor ascético, para de seguida na Indonésia, em busca de encontrar o equilíbrio, encontra, sem esperar, o amor!

Um livro delicioso de se ler, que deu origem ao filme com o mesmo nome "Eat Pray Love", estrelado pela actriz americana Julia Roberts e que foi um sucesso de bilheteira.




A mim deu-me um gozo enorme lê-lo e descobrir um bocadinho mais acerca dos insondáveis mistérios que encerram a mente e o corpo femininos, esse ser transcendental. Enquanto o homem é mais terra-a-terra no seu modo de pensar e de agir, reage por estímulos e instintos, deixando-se fluir com extrema facilidade no materialismo físico, sem por vezes medir ou orquestrar as consequências disso; a mulher é um ser [muito] superior nestas matérias, muito intuitivo (como podem ver não sou nada machista) tudo tem de ser reflectido e devidamente ponderado, não havendo lugar para erros, embora, quando o queira, também ela, gosta de se imiscuir nos maravilhosos prazeres da carne e do "pecado"; e quando o faz (!), a mulher, consegue em tudo, ser superior ao homem...e no final, consegue encontrar-se a si própria e descobrir o amor; claro, tem de acontecer o amor porque é isto que está na natureza da mulher, o amor!

Dou por vezes por mim a pensar em como seria este mundo sem esse ser, a Mulher e chego sempre ao mesmo modo de pensar por mais voltas que dê ao cérebro - Isto só com homens seria uma selvajaria total! Um imenso coito sem fim...e sem sentido, um festival de urros e berros! Aquele corpo voluptuoso tão diferente do nosso, a mim, tolda-me os sentidos (lá está a minha natureza masculina a vir ao de cima)!

Este livro mostra-nos, através do relato na primeira pessoa, o que é ser mulher e toda a sua espiritualidade (gostei particularmente do capítulo indonésio pois sou um admirador do Oriente e deste país misterioso (entre outros) situado nos antípodas do nosso e, da nossa cultura), em busca de si. Caso não queiram ler, vejam o filme, pois é muito bom e segue em tudo a linha do livro de Gilbert!

Na minha opinião e vale o que vale, todas as mulheres deveriam lê-lo, algumas mais que outras...especialmente, as que precisam de se emancipar em termos de espiritualidade; mas, todas, todas, deveriam lê-lo!


Boas leituras!





quarta-feira, 30 de maio de 2012

No "Olho"...

Andando na tentativa de captar imagens com a minha Fuji, de Visons, Guarda-rios ou outro animal qualquer na margem esquerda do "Olho", na zona que está incluída no Parque Verde, junto à ponte sobre o regato com o mesmo epíteto que serve a Avenida Rio Lima; deparei-me, meio submerso, meio a descoberto nas suas águas, com algo inusitado! Aquilo que me pareceu e continua a parecer um resto de frigorífico ou arca congeladora, em estado devoluto e como sei que o mesmo não tem pernas (sarcasmo), portanto, não se suicidou(!), devo depreender que alguém atirou semelhante volume para "morrer" submerso no fundo salobro e conspurcado do leito do já referido regato! 

Um comportamento indigno, diga-se! Quem sou eu para julgar os outros? Ninguém, com certeza! Mas, no entanto, atitudes como esta deixam-me sempre um pouco toldado pela ira, porque não custa nada utilizar as zonas que a Junta de Freguesia disponibiliza para o efeito (depósito de lixos) e, que como se pode comprovar no terreno, são muitas e estão devidamente identificadas!

Sob o olhar enervado (por certo) de um parzinho de namorados incomodados com a minha presença e a dos meus peludos, atirei-me de pés à água do regato e consegui puxar para o seu exterior, tal a sua proximidade da margem, este decrépito objecto. Em seguida alertei a Junta, que tomará as devidas providências, assim que tal for possível, de modo a remover da área onde agora se encontra, este "mono" apodrecido!

 



Com a chuva continua  e persistente que caiu este mês de Maio e no passado mês de Abril, o caudal do regato aumentou e por consequência também as correntes do mesmo, o que faz com que este tipo de lixos se movam ao sabor das correntes e por vezes, como foi o caso deste "mono", fiquem bem à vista de todos quantos circulem pela área! Atitudes como esta, seriam, a meu ver e vale o que vale, evitáveis!


 
Uma pena certas mentes, continuarem a pautar-se pelo pré-historismo de pensamento!



 

terça-feira, 29 de maio de 2012

Peneireiro-vulgar...morto!

Já há algum tempo a esta parte vinha refenciando uma ave que tem um curioso modo de caçar as suas presas em campo aberto e à vista de todos, pairando com frenético bater de asas enquanto observa eventuais petiscos que se movam no chão; um Peneireiro-vulgar (Falco tinnunculus).

Já a tinha visto em plena caçada no Parque Verde, mesmo junto à eira do milheiral, em fantásticos mergulhos capturando as suas presas mesmo que a poucos metros de altura do chão, assim como já a tinha visto  também noutros locais da veiga, nomeadamente junto à Ponte sobre o Lima e para as cercanias da ribeira da Silvareira.

Triste fiquei, quando ao observar à distância um estranho amontoado castanho-claro de nem sabia bem o quê e, ao chegar-me ao junto do mesmo, me apercebi que ali jazia o corpo inerte e retorcido de uma ave; era o peneireiro, pode até nem ser o mesmo que tenho visto, mas dada a coincidência do local onde tombou, leva-me a crer que de facto poderá ser a tal ave que tenho avistado tantas e tantas vezes, que muito frequentemente vinha caçar ali na zona do referido parque.


Em voo, pairando sobre os céus!


O típico pairar em busca de presas, desta vez a grande altura, embora já o tenha visto a ter o mesmo comportamento a escassos dois a três metros do chão!


Última fotografia, já cadáver! Uma pena!


Uma triste perda para a avifauna da veiga, que assim, sem este precioso exemplar, deste género de falcão muito comum e bem distribuído pelo território continental, vem ficar mais empobrecida. Espero que hajam mais a voar nos céus de Lanheses e claro, vou andar atento a este género de ave, que era e espero continue a ser, com a sua ocorrência, um dos grandes predadores da nossa veiga!

Curioso que dois dias depois, o corpo deste cadáver desapareceu do local, por ventura na boca de algum outro que se alimentou do mesmo; a natureza é mesmo assim, morrem uns para que outros continuem a senda da propagação da espécie.

É a lei da sobrevivência!




segunda-feira, 28 de maio de 2012

Encontro imediato em 1º grau!

Parque Verde, junto ao "Olho", duas da tarde hora calma em que quase todos estão no trabalho ou em casa gozando a sesta;  sem me aperceber, era espiado por um ser muitíssimo mais pequeno que a minha pessoa, embrulhado entre ervas e outras silvas, camuflado por estas com as suas cores exuberantes, entre o esbranquiçado da penugem, acastanhado do corpo e o verde da cabeça; não fosse o peludo mais pequeno com o seu olfacto bastante mais apurado que o meu, descobrir o pequeno ser, este ter-me-ia passado completamente despercebido ao olhar!

Mas, eis que a curiosidade deu lugar à distracção e então a Fuji desatou a trabalhar, qual não sendo o meu espanto, que o lindo animal, um Pato-real (Anas platyrhynchos), ao invés de fugir atarantado com a minha gigantesca presença se pôs num belo bailado aquático sobre as salobras águas do "Olho", a dançar para a objectiva da minha máquina fotográfica!

Eis o resultado:

 
Que linda ave!








Um bailado aquático!














O momento em que o peludo mais pequeno descobre a ave.

Tentei verificar se o animal estaria ferido, estranhando o comportamento amistoso dele, não lhe vi feridas nem tão pouco outro tipo de mazelas e nos dias seguintes pude verificar que o mesmo já não andava por este local.

Se calhar (presumo eu) descansava das grandes viagens que normalmente estas aves costumam realizar e eu com a minha curiosidade, talvez, só tenha ido incomodar o seu descanso!


Dou agora, passado este encontro imediato (em 1º grau) por mim a pensar, em como seria mágico que as águas do "Olho" estivessem libertas de lixo e muitas espécies animais, fizessem deste cantinho, o seu lar!


Sonhar não custa nada e ainda não se paga imposto por isso!






domingo, 27 de maio de 2012

Pia passarinho, pia!

Pia passarinho, pia,
que novas é que me dás?
Aí no alto, como quem desafia
o chicote ardente do capataz...

Pia passarinho, pia,
pia assim, também para mim
pia e faz em mim acontecer magia,
magia que o mágico faz assim...

Empoleirado nesse ramo
orgulhoso do peito ruivo,
abrindo o bico, soltando um uivo
como magia, neste Parque, que tanto amo!

Não fujas passarinho. Pia de novo para mim.
Vem poisar nesse plátano e canta-me de novo assim...







(do autor Sérgio Moreira)







sexta-feira, 25 de maio de 2012

Reunião de Cegonhas-brancas na veiga!

Ontem, sob um calorzinho estival muito bom, e que já foi substituído por mais um manto de nuvens adivinhando mais chuvinha para o final de semana; deparei-me, quando deixava os meus peludos espairecerem o stress no verde relvado do Parque Verde em longas reboladas de costas (apanágio da raça canina), que ao fundo, na veiga, numa porção de terra lavrada, se dava um importante acontecimento; uma reunião de Cegonhas-brancas.

Ainda há bem pouco tempo, se falava com alguma estupefação, do primeiro casal a chegar à nossa aldeia para nidificar (assim como um outro mais famoso em Santa Marta de Portuzelo onde no alto de uma chaminé de cerâmica de uma fábrica desmantelada, construíram o ninho), para hoje em dia, já serem muito comuns avistarmos alguns casais de Cegonhas a deambular pelos nossos céus.

Como dizia; enquanto os peludos rebolavam na relva, de Fuji em punho desatei a clicar no obturador da máquina para retratar o momento e documentar, aqui no blogue, uma das mais majestosas aves que vierem, com a sua coloração entre o branco e o negro, pintar os nosso céus!

Eis os resultados, espero que tenham o mesmo gozo a visualizar estas fotografias, tanto, como o gozo que a mim me deu tirá-las! Nada mais há que seja tão belo, como a Mãe Natureza, seguindo o seu curso natural! As Cegonha, alimentando-se ou em autênticos bailados no céu, proporcionaram-me alguns dos mais belos momentos em comunhão com a natureza, na veiga de Lanheses...e não tenho vergonha nenhuma em dizê-lo...por vezes, antes só que mal acompanhado! Ontem, senti o coração preenchido por uma felicidade desmedida...


 















Pintando com belas cores, os céus de Lanheses!


Um dos Reis dos céus...





Tantas...


Que beleza bravia, a da Natureza...








Um coro afinado a gloterar!







Para finalizar este post, duas fotografias retratando o casal lanhesense da antiga Casa do Povo, também ele já famoso quer na vizinhança, quer a nível virtual, onde a fêmea no ninho, acompanha com extrema devoção o desenvolvimento da sua prole composta por duas crias, sempre de bico aberto, espantando o calor e pedindo algo para o bucho!






Assim, sinto-me feliz...viva a Natureza!




quinta-feira, 24 de maio de 2012

O Parque Verde, há tempos idos...

Uma vez mais com extrema amabilidade e demonstrando que é bom filho da terra, tendo (ao que me parece) um prodigioso arquivo fotográfico, onde guarda estampadas em fotografias as memórias da terra de há tempos muito idos; o meu amigo e conterrâneo Amaro Rocha, enviou-me por email quatro diapositivos digitalizados retratando as zonas afectas ao Parque Verde e o quão diferente essa zona era nesse tempo.

Tenho, como é óbvio, todo o gosto em publicá-las aqui no blogue, para que muitos matem saudades de tempos passados e outros tantos (novos e mais velhos) vejam, como o progresso trouxe até, uma melhoria significativa aquelas zonas!


Numa época em que os silvados ainda eram donos e senhores das zonas do Parque Verde.




Quão diferente está, a margem do Lima, nos dias de hoje...presumo que a edificação que se vê na fotografia ao centro, esteja envolvida nos trabalhos de extracção de areias!





Fotografias gentilmente cedidas por Amaro Rocha do lugar da Taboneira.


Ao amigo Amaro Rocha, o meu muito obrigado, por mais uma gentileza e se lembrar desta página virtual, que tenta tratar e retratar isso mesmo, a terra que ele tanto preza e lhe é tão querida!

Aqui lhe deixo o meu abraço agradecido!



quarta-feira, 23 de maio de 2012

ENCONTRO na SEMENTEIRA.

MAIS UM FESTIVAL QUE SE IRÁ REALIZAR NAS BELAS ZONAS DO PARQUE VERDE, APELANDO-SE, CLARO ESTÁ, À PARTICIPAÇÃO DE TODOS, QUANTOS QUEIRAM ADERIR A MAIS UMA INICIATIVA LANHESENSE!


Esperemos, que os agentes atmosféricos se mostrem amigos da população e da aldeia de Lanheses e, que o Sol brilhe durante todo o dia!




terça-feira, 22 de maio de 2012

A boa acção do dia...

Hoje ao deambular pela veiga e ouvindo uns miados de desespero, apercebi-me que um pequenino gatinho assustado pedia por ajuda no cimo de um dos Carvalhos que ocorrem no Parque Verde. Enquanto um casal o tentava salvar de uma queda aparatosa, afastei-me com os meus peludos de modo a que o pobre bichano não fosse importunado!

Não adiantou de nada, o meu coração compadeceu-se de um destino que antevi trágico para o pobre animal e acolhi-o em casa de modo a matar-lhe a fome e salvá-lo de uma hipotética morte, mais que anunciada, dada a grande generalidade de espécies animais que deambulam por aquela zona, que poderiam ser um hipotético perigo para o gatinho. Imaginei logo, como seria de noite com tantos perigos à solta e mesmo junto à estrada como ele onde ele estava seria passível de ser atropelado, dada a extrema velocidade com que muitos atravessam conduzindo o seu automóvel, a Avenida Rio Lima, mesmo em pleno Parque Verde.

Todos sabem ou saberão que tenho em casa dois peludos, uma colecção infindável de 72 periquitos (pássaro que venero) o que me impossibilita de algum modo continuar na posse de tão lindo bichano! Pelo que, se alguém se disponibilizar e quiser adoptar um gatinho lindo, terei todo o gosto em oferecê-lo! Para isso basta deixar mensagem!

Deixo as fotografias do gatinho que neste momento, de barriga cheia (curioso e engraçado), dorme descansado, encostado ao meu braço que quase nem consigo escrever aqui no blogue (risos)!









Infelizmente, também, sofro de alergia a este tipo de animal, o gato, pelo que será difícil de adoptar, apelo portanto a quem de coração, se disponha muito amavelmente a adoptá-lo, caso queira um animal de companhia. Para os eventuais interessados, é macho!

Obrigado!



segunda-feira, 21 de maio de 2012

Santo Antão (revisitado) - O verdadeiro espírito da festividade!

Passada que está, a festividade em honra de Santo Antão e o calendário continuar a correr languidamente em direcção ao Verão e a outras festividades que surgirão com a passagem dos dias desse mesmo calendário, ocorre-me pela última vez este ano, revisitar o tema citado em assunto e dar o protagonismo devido a quem há muito está apeado desta festividade; o animal! No tópico anterior dei primazia à temática antropológica, salientando o convívio entre as pessoas e as exéquias religiosas, que se vivem, aquando deste festejo. No entanto seria da minha parte um pouco egoísta, se falasse tão e somente da componente humana, da tasca, de copos, de santos e esquecesse os animais, porque, Santo Antão era isso mesmo, ou melhor, é isso mesmo; é uma festividade onde, desde há tempos imemoráveis, os aldeões levavam ao seu orago, os animais domésticos que tinham em sua posse, para que fossem benzidos e abençoados pelo poder eclesiástico revestido na figura do pároco da aldeia. E eram tempos de muita míngua e muito pouca fartura, esses que se viviam há muitos anos atrás em pleno regime ditatorial, que muita miséria trouxe a este Portugal e às famílias espalhadas pelas aldeias e vilas deste país! Lanheses não seria excepção, excluindo claro, alguns (muito poucos), nobres, que viviam mais desafogadamente...o comum dos aldeões passava fome e trabalhava de Sol-a-Sol para poder sobreviver, pelo que, qualquer animal que tivesse em seu poder de modo a alimentar, engordar, para depois matar e saciar a fome, alimentando por uns tempos o agregado familiar que em casa tinha; era tratado como um bem de cariz extremamente precioso, tanto mais que os mesmos animais eram preciosíssimos auxiliares (também) na lavoura e actividades agrícolas, porque, para além de não haver dinheiro para máquinas agrícolas (nem para sardinhas, quanto mais para maquinaria) e mesmo estas ainda estavam pouco desenvolvidas (pelo menos em Portugal) era o animal, conduzido pelo seu dono, que brilhava e ajudava no amanho da terra, no sustento da casa e no amanho económico da família, quando vendido, nas feiras.

Daí advinha a importância de levar os animais domésticos até ao Santo para serem benzidos, de modo a que o ano corresse bem, fosse abençoado. Traduzindo por outras palavras; prevenindo que a míngua não atingisse de novo a casa de cada um. O sucesso na criação de um animal significava, fartura e um meio essencial de transporte (temos como exemplo o cavalo) e de tracção (por exemplo o gado bovino) em tempos de pouca fartura e muita dificuldade. Quem não se lembrará, em Lanheses, dos carros de bois que circulavam nestes caminhos da aldeia? As gerações mais velhas de lanhesenses com certeza se lembrarão muito bem e ainda há uns vinte anos atrás(mais ao menos, por aquilo que me vão contando) ainda muitos circulavam. Dos animais tudo se aproveitava e se dos mesmos se produzia leite, queijo, chouriços e até vestuário entre outros artigos; como não haveriam estes de ser venerados e levados a abençoar, com a agravante da grande religiosidade, por que sempre se pautou o povo português! Santo Antão era (é) o seu padroeiro, o seu protector!

Os anos foram passando, os países e as sociedades foram-se modernizando, enriquecendo, veio a Democracia, veio a prosperidade com a conquista das liberdades em Abril de 74 e as dificuldades começaram lentamente mas em crescendo, a diminuir, até aos dias de hoje! Em consequência, também o animal foi perdendo a importância que demonstrava nesses anos idos e em virtude disto, na festividade de Santo Antão, hoje em dia, já não se vêem os animais a serem levados ao orago para serem benzidos pelo pároco da aldeia, como antigamente. Perdeu-se esta tradição, embora se tenha mantido toda a outra componente humana, típica da festividade, mas infelizmente, perdeu-se para sempre esta tão típica manifestação de fé e de pedido de ajuda ao divino para que (fundamentalmente) personificado no animal doméstico, o ano corresse bem! E houvesse o que comer...

Ocorreu-me a ideia de fotografar a festividade, quando lá estive este Sábado passado, numa óptica mais humanizada e, para este tópico, teria de ter fotografado animais junto à capelinha de Santo Antão. Ora, lá não estava nenhum, com excepção de um gato que fugia sorrateiro! O que fazer? Como lanhesense (mesmo que forasteiro) que se preza, acompanhei o lançamento por parte da Junta de Freguesia do livro - Lanheses a preto e branco...e...lembrei-me de fotografar as fotografias que lá foram publicadas referentes a esta festividade onde se vêm os lanhesenses (em tempos há muito idos) acompanhados dos seus animais para serem benzidos, muitos deles, lanhesenses ainda vivos e que conheço muito bem. Serve também para quem está por fora, ganhando a vida, matar saudades de tempos que se revestiam de muita dificuldade, mas que tenho como certo que muitos ainda os consideram saudosos, onde misturada com dificuldades, a alegria acabava sempre por imperar! Como os admiro meus amigos!

Dou então neste post, relevo aos verdadeiros e mais importantes elementos desta festividade; os animais, com fotografias que retirei do (acima) referido livro...esperando que a todos traga muito boas recordações e dando a importância devida aos animais que temos em casa; sejam para fins de trabalho, fins de lazer, companhia ou para consumo próprio, até!


 A esta galeria, se tivesse de lhe dar um nome, chamar-lhe-ia - Os dias felizes...

 



 








Fotografias retiradas do livro - Lanheses a preto e branco.

Fico muito sensibilizado ao ver tanta felicidade estampada nestes rostos de gente jovem que nada tinham, quando comparados, com a minha e, estas novas gerações; que "estragados com mimos", talvez por aqueles que antigamente "nada" tiveram e não quiseram o mesmo para os seus filhos (como os entendo), tinham no entanto, um bem mais precioso, a simplicidade aliada à felicidade, que tão bem é demonstrada nesta fotografias. Nós, hoje, com tudo o que dispomos não somos nem um ínfimo mais felizes que aquilo que eles foram, quando jovens...basta (por exemplo) ver o sorriso do meu pai ao contar histórias de rapaz novo quando ia aos ninhos, quando ia à fruta...etc, etc.!!! Nada de telemóveis, nem PC´s...e isso verdadeiramente nunca vou entender, mas antes, admirar...


Santo Antão, era isto; o Sagrado e o Profano de mãos dadas, era festa, era alegria, eram cantigas e danças, aproveitando a ida ao orago onde eram levados os animais para que depois de benzidos o ano fosse de fartura! Tudo era motivo para alegria e cantoria...e neste dia, os animais (mesmo que não o entendessem) eram os reis da festa!!!


Assim me despeço de Santo Antão, até para o ano!